22.02.21, mais um dia como todos os outros que venho vivendo.
Não sei o que aconteceu, não sei em que momento a chave virou novamente, e eu comecei a escorregar buraco abaixo.
Eu estava bem havia uns 2 meses. Vivendo para ser a pessoa que eu queria ser, finalmente alcancei algo que queria muito que era minha alimentação vegana. Estava feliz, animada, trabalhando muito para fazer meu negócio dar certo, e realmente estava. Muitos pedidos e entregas por dia, e eu saía de casa toda feliz agradecendo ao universo por tudo.
Mas tudo mudou, isso perdeu a cor. Participei de uma promoção em um app local, e fiquei 3 dias sem dormir, produzindo, e vendi tudo. Mais de 110 unidades, trabalhando feito uma doida, e muito feliz.
Mas quando acabou, eu senti um vazio, as coisas foram ficando frias, sem graça, sem cor, e eu parei. Pausei toda a produção para os dias seguintes, inventei desculpas para os clientes que queriam comprar, paralisei as redes sociais e os apps. Não conseguia mais ver nada em relação a isso sobre a mesa do escritório, corri e guardei tudo onde não pudesse mais ver.
Acho que foi ali onde a chave virou e eu entrei novamente nesse buraco onde continuo descendo todos os dias. As vezes sinto força e tento pelo menos parar, mas não consigo.
As mesmas questões de sempre martelam minha cabeça e eu me pego pensando se realmente quero continuar aqui. São tantos anos pensando a respeito disso, que acho engraçado pensar como eu era medrosa antigamente. Morria de medo do inferno, morria de medo da morte, e hoje me pego pensando e fico debatendo os pós e contras. Medo. Mais um sentimento dos quais não consigo mais sentir.
Eu sou uma árvore oca. Aquela árvore de 100 anos linda que as pessoas olham e suspiram. Tiram fotos, abraçam, agradecem pela oportunidade de ver algo tão maravilhoso da natureza. Porém oca por dentro, se dessem uma batidinha nela, veriam que só tem casca. Que pode ser derrubada com um vento a qualquer momento. Sou eu.
Eu que dediquei a minha vida a ajudar as pessoas a minha volta, muita vezes errando, mas tentando. Eu que renunciei todas as oportunidades que me fariam feliz para viver a felicidade dos outros, ou melhor, para tentar fazer com que os outros fossem feliz, e que quando percebi já estava oca por dentro. Eu dei tudo de mim para todos, sempre sorrindo, sempre estando bem, sempre dizendo para não se preocuparem, sempre sendo forte. Nem eu vi. Quando vi já era tarde.
Não sei quem eu sou, não sei do que eu gosto, não sei o que quero fazer da minha vida. Não sei, simplesmente não sei.
Eu me conformei que as coisas são como são, e eu não sei se quero mudar isso, lutar contra isso.
Peguei o computador, comecei a trabalhar num projeto de um curso que estava fazendo, quando percebi que o teclado estava molhado e eu procurei o que era. Até perceber que era eu. Eram minhas lágrimas.
Eu vivo um dilema onde quero fazer algo, não quero me entregar, não quero sucumbir, e ao mesmo tempo a dor que eu sinto no meu peito, me sufoca e eu não consigo me mexer ou pensar.
Me dá vontade de gritar, gritar até não conseguir mais.
Fico ponderando as formas de não sentir mais isso, e já cheguei a conclusão que não usaria métodos medicinais. As vezes estou fazendo algo e me vem na cabeça uma cena onde eu subo em uma árvore e pulo. Parece real.
Tudo que escrevi parece confuso até pra mim, mas senti que se escrevesse, talvez aliviaria minha angustia. Parece que não funcionou.
❞ —